Os Açores vivem numa ligação profunda com o oceano. Aqui, o mar define a paisagem, sustenta comunidades, molda tradições e inspira uma gastronomia única, onde o pescado assume um papel central na identidade cultural e económica da Região.
“O mar dos Açores é responsável não só pela nossa identidade cultural como também por parte significativa do nosso modo de vida.”
No centro do Atlântico Norte, os Açores afirmam-se como um território profundamente ligado ao oceano, onde o mar influencia a paisagem, a cultura e a vida das ilhas. O arquipélago, composto por nove ilhas, desenvolveu ao longo da sua história uma relação profunda com o mar, que continua a marcar a identidade, a economia e a cultura açoriana.
Mais do que um elemento geográfico, o mar é um dos principais recursos naturais dos Açores e um fator determinante para o seu desenvolvimento. A vasta Zona Económica Exclusiva dos Açores confere à Região uma dimensão marítima estratégica no Atlântico Norte, reforçando o seu papel na preservação da biodiversidade, na investigação oceânica e na valorização sustentável dos recursos marinhos.
De acordo com o Governo Regional dos Açores, “o mar é a nossa maior marca distintiva”, assumindo-se como um ativo fundamental para o desenvolvimento sustentável e para a afirmação internacional da Região.
Também a Universidade dos Açores tem destacado a importância dos ecossistemas marinhos açorianos e da posição geoestratégica do arquipélago no contexto da investigação do Atlântico Norte, particularmente nas áreas da biodiversidade, sustentabilidade e economia azul.
As águas profundas do Atlântico, a reduzida pressão industrial e a riqueza dos ecossistemas marinhos fazem dos Açores um território de elevada biodiversidade. Esta singularidade permite a existência de espécies de grande valor ecológico, científico e gastronómico, contribuindo para a valorização do pescado açoriano e para a afirmação das cozinhas do mar.
Segundo o centro de investigação Okeanos, os Açores representam um dos ecossistemas marinhos mais relevantes do Atlântico Norte, reconhecido pela diversidade de habitats e espécies associadas ao oceano profundo.
A obra “Sabor Mar”, um livro de culinária do chef francês Aimé Barroyer, radicado em Portugal e dedicado à cozinha portuguesa contemporânea com especial enfoque nos produtos do mar, sublinha a “riqueza e diversidade dos peixes do mar português”, evidenciando o papel central do oceano na construção da gastronomia nacional. Ao valorizar diferentes espécies de pescado, técnicas de confeção e tradições associadas ao consumo de peixe, o livro reforça a importância do mar enquanto elemento estruturante da cultura alimentar portuguesa e da identidade das cozinhas do mar.
A ligação entre as comunidades açorianas e o mar mantém-se profundamente enraizada no quotidiano das ilhas. A pesca, os portos, os mercados, a gastronomia e as tradições marítimas continuam a desempenhar um papel essencial na preservação de um património cultural único.
A valorização deste território marítimo é acompanhada por entidades como a Direção Regional das Pescas dos Açores e a Universidade dos Açores, que desenvolvem trabalho nas áreas da sustentabilidade, investigação científica, gestão dos recursos marinhos e inovação ligada à economia do mar.
Na Plataforma Nacional das Cozinhas do Mar, o mar é entendido como um património natural, económico e cultural, sendo o pescado um dos seus elementos mais identitários. Esta abordagem é sustentada por evidência científica e institucional que reconhece a importância da gestão sustentável dos recursos marinhos.
De acordo com a FAO1, a pesca sustentável depende diretamente da utilização de métodos seletivos e de baixo impacto, como a pesca artesanal e a pesca de linha e anzol, que reduzem significativamente as capturas acessórias e ajudam a preservar os stocks de peixe. Este enquadramento reforça a relevância das práticas tradicionais que ainda hoje caracterizam várias comunidades costeiras portuguesas.
No caso do Atlântico Norte e do espaço marítimo dos Açores, diversos estudos técnicos destacam a baixa pressão industrial sobre os ecossistemas marinhos como um fator determinante para a qualidade do pescado. A menor intensificação da exploração, associada a águas oceânicas profundas e relativamente preservadas, contribui para a excelência reconhecida do pescado açoriano em termos de frescura, textura e sabor.
Organizações internacionais ligadas à gestão das pescas, como a ICCAT2, sublinham igualmente a importância da regulação das espécies migratórias e da pesca responsável, especialmente no Atlântico, onde espécies como o atum assumem elevado valor económico e ecológico.
3 Dimensões Fundamentais
As espécies emblemáticas — atum, goraz, boca-negra, cherne, polvo e lapas — refletem a diversidade do mar português e são amplamente reconhecidas na gastronomia nacional. Cada uma destas espécies integra não apenas um ecossistema específico, mas também um conjunto de saberes culinários tradicionais que foram sendo transmitidos ao longo de gerações.
A gastronomia dos Açores afirma-se como uma das expressões mais autênticas da cultura gastronómica portuguesa. Profundamente ligada ao Atlântico, resulta de uma relação histórica entre o território insular, o mar e as comunidades locais, onde o pescado e os recursos marinhos desempenham um papel central na identidade alimentar.
Nos Açores, a cozinha não é apenas património culinário — é território vivido, memória coletiva e prática quotidiana.
A base da gastronomia açoriana está na pesca artesanal e no respeito pelos ciclos naturais do oceano. A simplicidade das técnicas tradicionais traduz uma filosofia de cozinha onde o produto é protagonista.
A gastronomia dos Açores preserva um conjunto de receitas que refletem a ligação entre simplicidade, produto e sabor.
técnica simples que valoriza a qualidade do peixe fresco
preparação lenta, com diferentes espécies e caldo rico
símbolo da cozinha costeira, servidas com manteiga e alho
reconfortante e nutritiva, baseada em pescado local
A restauração açoriana tem vindo a evoluir, mantendo a identidade tradicional enquanto integra novas abordagens culinárias.
Preservação das receitas locais e técnicas originais.
Valorização do peixe fresco e da sazonalidade.
Reinvenção das tradições com técnicas modernas.
Esta diversidade reforça a autenticidade da gastronomia açoriana e amplia a sua relevância no panorama nacional e internacional.
A gastronomia dos Açores é hoje um dos principais pilares do turismo regional, funcionando como elemento de diferenciação e autenticidade. Esta relação manifesta-se em três dimensões:
Ribeira Quente | São Miguel
Celebra um peixe típico da região, com a gastronomia do mar como elemento central. Destaca-se pela diversidade de confeções e pela utilização de produtos locais ligados à pesca.
Rabo de Peixe | São Miguel
Promove o pescado dos Açores através de sopas e caldos tradicionais e inovadores. Valoriza espécies locais e práticas culinárias diretamente ligadas ao mar.
Horta | Faial
Um dos maiores eventos náuticos do país, que combina atividades ligadas ao mar com gastronomia local. Inclui peixe grelhado, pratos tradicionais e produtos regionais dos Açores.
A escolha dos Açores para sede da Plataforma Nacional justifica-se pela sua forte ligação ao mar e pela sua posição estratégica no Atlântico. Trata-se de um território insular profundamente marcado pela identidade marítima, onde a cultura, a economia e a gastronomia estão diretamente associadas ao oceano.
Os Açores ocupam uma posição central no Atlântico, o que reforça a ligação natural da Plataforma aos produtos do mar e à dimensão atlântica da gastronomia. Esta centralidade geográfica traduz-se também numa forte identidade territorial, onde o mar não é apenas cenário, mas base da vida quotidiana e da atividade económica.
A região distingue-se ainda pela qualidade e diversidade do seu pescado, resultante de águas limpas e de elevada biodiversidade, o que garante matérias-primas de grande valor gastronómico. A isto junta-se a forte autenticidade da sua gastronomia, assente em tradições preservadas e numa relação direta entre produto, comunidade e cozinha.
Conheça esta Parceria
A parceria entre a Plataforma Nacional das Cozinhas do Mar e os seus parceiros institucionais e territoriais assenta numa visão partilhada de valorização do mar português como origem, identidade e futuro. Mais do que promover o pescado, a Plataforma afirma-se como um espaço ativo de conhecimento, criação e projeção nacional e internacional da cultura gastronómica do mar.
Em conjunto, promovemos o pescado e os produtos do mar como motor cultural, económico e turístico, ligando produtores, chefs, comunidades piscatórias, eventos e conhecimento num ecossistema que nasce no oceano, mas que comunica para o mundo.
Showcookings, degustações, talks, exposições, festivais e experiências gastronómicas que colocam o mar no centro da vivência cultural e turística dos territórios costeiros. Da tradição piscatória à inovação culinária, promovemos momentos que aproximam profissionais, comunidade e visitantes.
Pescadores, confrarias, mercados, restaurantes, chefs, escolas, investigadores, eventos e entidades do setor. Construímos uma rede colaborativa e dinâmica que valoriza o conhecimento do mar, promove práticas sustentáveis e fortalece toda a cadeia de valor do pescado português.
Em Portugal, o mar não é apenas um recurso — é cultura viva. Criamos experiências que ligam gastronomia, património marítimo e turismo, valorizando territórios costeiros e comunidades locais. Cada prato conta uma história: da pesca à mesa, do oceano à identidade.
Nos Açores, a cozinha não é apenas património culinário — é território vivido, memória coletiva e prática quotidiana.
Visitar os Açores é também experienciar uma forma de viver a gastronomia profundamente ligada ao território, onde cada ilha oferece variações próprias de sabores e práticas.
Uma parceria que respeita a memória do território e projeta os Açores como referência do pescado e das cozinhas do mar em Portugal.
Onde o Atlântico, a biodiversidade e a tradição piscatória se entrelaçam num arquipélago único. Entre portos, mercados e saberes antigos, as cozinhas do mar ganham expressão num território que preserva a memória e celebra o sabor.
Visitar Website